Rasgou-se o manto
Que escondia o meu gemido
Revelou-se assim
Para quem me conseguisse ler
O que eu mais procurava esconder
Já nada mais tinha encanto
Melhor fiz em ficar no meu canto
Onde semeei alecrim aos molhos
Como desculpa para o meu pranto
Mas no entretanto
Quando fui colher o que tinha plantado
Pus a vista nos teus olhos
E esqueci enfim a razão do desencanto
Em ti reside agora a esperança
Que a razão jamais alcança
E o coração ainda mal refeito
Bate já acelerado no meu peito
Ele afinal não tem memória
E não aprende nunca
Batendo na ânsia de uma história
De eterna crença no amor
Resulte o que daí resultar
Mesmo que no fim haja só dor
É fácil para quem não guarda lembrança
Mas eu não sou só coração
E nesta luta
Entre o sentimento e a razão
Entre o esquecer e o lembrar
Entre o amor e o temor
Tudo em mim se rende a esse teu olhar
Que do pranto fez de novo encanto



