Há quem espere grandes coisas de mim
Mas já não me intimida a ambição alheia
Sobretudo quando me a tentam impor
Encoberta sob um manto de boas intenções
Há quem espere grandes coisas de mim
Conhecem os segredos para a genialidade
Mas é a mim que pedem para os pôr em prática
E a receita que apregoam é simples
Devo separar-me do que sinto
Deixar morrer de vez o “eu”
E escudar-me nas técnicas narrativas
Devo ser mais maldade
E menos ingenuidade
Há quem espere grandes coisas de mim
Mas eu deixei de querer saber o que esperam de mim
Percebi há muito que não se agrada jamais a todos
E as interpretações dependem das vivências de cada um
Mais do que das palavras que efetivamente escrevo
E tendo eu que escolher
Escolho então agradar a mim mesmo
Serei sempre fiel a quem sou
Mais coração do que razão
Mais sentimento que entendimento
Não sei se por isso serei genial ou imbecil
Talvez seja um pouco de ambos
E se assim for serei como todos os outros
Gente que se sente
Gente que se sente
Gente que falha e se transcende
Gente que se perde e se encontra
Gente que é gente
E será isso uma forma de ser que eu queira mudar?
E será isso um mal a evitar?



