A Vida Num Só Dia

ideoma

Vivi naquele dia tudo o que havia a viver

A minha existência resumiu-se a isso
Atingir o apogeu de se sentir inteiro novamente
E ser capaz de soletrar a eternidade do amor
Para depois cessar de ser por completo

Haverá sempre esse limite temporal
Que corre tangencial entre tudo o que é corpóreo
E tudo o que sobeja como memória da realidade que se desvaneceu

E o espaço multidimensional que eu ocupava tão definitivamente
Será um vazio que se preencherá mais rápido do que eu ousaria admitir~

Mas não haverá nunca cura para a saudade
Que o confronto entre aquilo que se teve e o que agora se possui gera

Nada há afinal de subtil
Nesse doloroso despedir-se do mundo que se criou à nossa imagem

Quem poderá ensinar a como manter a inocência
Quando à nossa volta rui tudo o que nos sustinha
E a chuva que insiste em cair são lágrimas
Que de tão amargas secam as rosas
Que brotariam somente na expectativa de serem ainda doação de mim para ti?

Ensina talvez as vagas do mar
Que dê por onde der insistem em ir e vir
Cantando com o mesmo vigor canções de oblívio
Ensina talvez o sol que morre a cada noite
Apenas para ressuscitar igualmente brilhante na manhã seguinte

Talvez para lá da minha ausência
Seja eu também capaz de ensinar o verdadeiro significado desta realidade:
Mesmo sendo nós efémeros, o nosso amor tem uma vocação intemporal